v i d r o f u s ã o

“Damien Dagiggade, um francês, quer falar contigo. Ele quer colocar coisas dentro do vidro, como lata de refrigerante, papel higiênico, sabonete, coisas do cotidiano…” disse minha assistente no auge da correria do mês de novembro. Não dei bola. “Viajou…”, pensei. Mas ele tornou a ligar. E de novo, e de novo. Até que atendi. Perguntei se era artista. Disse que não, que trabalhava com informática. Se auto denominou “curioso” e a partir daí começamos a conversar.

A curiosidade as vezes nos leva a territórios apaixonadamente desconhecidos. Explorar simplesmente, sem esperar nada. Ele me preguntou o que eu achava, e eu respondi “não tenho a menor ideia, mas topo a brincadeira!” …o que ele queria era filmar o processo, a surpresa!!  Adorei. Convidamos o fotógrafo Rodrigo Rosenthal a embarcar na viagem e ele gostou da ideia. Andre Muzhi, nosso vidreiro também topou. E nós 4 vivemos algumas horas de pura surpresa: fizemos o vidro, derramamos a massa incandescente sobre os objetos do cotidiano, e ficamos esperando pra ver o que aconteceria… a experiência foi incrível.

Espaco-zero-fusao-em-vidro

Experiências com vidro, fusão de vidro quente com rolo de papel

Espaco-zero-fusao-em-vidro

Resultado com a massa um pouco mais fria. Experiências com vidro, fusão de vidro quente com rolo de papel.

Damien está editando e publicando em seu canal do YouTube, deem uma olhada…………. Valeu a ideia, Damien!

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Encontro Anual do Icom Glass em Sars Poteries

Galeria Espaco Zero - Sars Poterie - Bert Frijns B

A mesa de vidro do conselho internacional dos museus, o board Icom Glass, da qual Elvira Schuartz ocupa uma cadeira, este ano se encontrou entre Bélgica e França, em um tour por regiões tradicionais na produção de vidro industrial e artesanal.

No norte Francês, visitaram os cantões de Sars Poteries, Trélon, Boussois, Charleroi. Visitaram o inaugurado Mus-Verre, com acervo histórico e contemporâneo, onde foram recebidos pelos diretores do museu. Visitaram ainda a fábrica de vidro pla5no AGC, e o glass studio de Charleroi. Na Bélgica, conheceram acervos contemporâneos (Glazenhuis, Lommel) e históricos (cristais Saint Lambert, Seraing), bem como a coleção particular de Lothar Knauf, em Emburgo, e o acervo glass do Curtius Museum, em Liége.

Em Sars Poteries, Elvira registrou as obras do inglês Colin Reid e do holandês Bert Frijns.

 

A água é um elemento chave no trabalho de Bert Frijn, criando reflexões, distorcendo a superfície, adicionando um novo balanço ao objeto de formas simples puras, mesmo com desconcertante imobilidade. Como escultor, ele desafia a utilidade do recipiente em um trabalho de arte minimalista. Gosta de jogar com a dualidade de seus materiais favoritos, vidro e água, solidez e fluidez, recipiente e conteúdo. Por vezes modifica o centro de gravidade de suas obras. Seu trabalho sugere meditação e observação, brincam com a luz ambiente, como se as tigelas estivessem suspensas no tempo, prestes a cair.

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Entrevista com Andrea Macruz – design artesanal

A arq’designer Andrea Macruz, diretora do Estudio Nolii, professora de design na Belas Artes, é uma das queridas do Espaço Zero. Esteve aqui ano passado para confeccionar este poderoso vaso M.AR, que esteve exposto na design weekend 2016, em revistas especializadas, e agora está na loja on-line Boobam, aqui

Convidamos a designer para falar um pouco de seu processo criativo e sua experiência com o vidro

Espaço Zero: Andrea, bom dia. Muito obrigado por conceder esta entrevista, você sabe que somos fãs do seu trabalho.  Sobre esta fruteira/ doceira M.AR que foi confeccionada aqui no Espaço Zero, é um objeto lindo que remete a várias manifestações da natureza, as áureas espirais. Este vaso parece também uma coluna grega desconstruída, e por outro lado as estrias do vaso também remetem aos vasos de vidro de Riga, na Itália, que contém gomos como uma mexerica. Já ao lado contemporâneo, ele é líquido e evoca a repetição comum do design industrial paramétrico. Conte para nós um pouco mais deste vaso e suas possíveis leituras?

Andrea Macruz: m.ar são fruteiras/doceiras inspiradas nos vórtices. Vórtex ou vórtice é um escoamento giratório onde as linhas de corrente apresentam um padrão circular ou espiral. Ele pode ser observado em diferentes fenômenos como nos anéis de fumaça, nos tornados, furacões, redemoinhos, etc.  A espiral é bastante presente nos elementos/fenômenos naturais e gera formas bonitas e complexas.

A fruteira/doceira m.ar foi desenhada com o programa Rhinoceros e seu plug in paramétrico Grasshopper. Já a fabricação foi totalmente manual, porque cada peça é feita por duas partes em vidro soprado. Na verdade, o desenvolvimento do projeto é interessante porque confronta/liga tecnologia com um processo artesanal, deixando margem para algumas variações em relação às suas medidas e forma.

nolii-vaso

fotos: Flavio Sampaio
ano: 2016
material: vidro
medidas: +- 40cm Ø x 20cm altura

EZ: Em seus projetos podemos dizer que há uma intenção na desconstrução da forma e uso dos objetos, por exemplo suas mesas com superfícies onde é impossível apoiar qualquer coisa, e até mesmo este vaso que muitos se perguntam a eficácia de sua função. Os nomes que dá aos seus objetos brincam com a identidade e o significado das coisas. Você acredita em um ambiente descaracterizado de objetos-função reconhecíveis, algo que toca o extremo do poético?

AM:  Meu trabalho tem como foco o estudo da Natureza e dos sistemas computacionais avançados. Aqui  no estúdio nós propomos uma maior conexão entre o homem e algumas formas e padrões da Natureza em relação à familiaridade e a possibilidade de trazer para dentro da casa das pessoas elementos que se assemelham a Natureza. Nesse sentido, o uso de  novas tecnologias permitem a reprodução de padrões e formas complexas que seriam difíceis serem criadas sem o computador. No caso das mesas que vc mencionou (t.ri / s.ce / d.ir) elas são esculpidas por uma CNC, formando padrões inspirados nas fissuras tectônicas no caso da t.ri, nas dunas e fractais no caso das s.ce e na palmeira-leque no caso das d.ir . O conceito de todas é a interação do usuário em relação a sua volumetria: não há uma forma certa para os objetos serem dispostos, dependendo unicamente da criatividade da pessoa que a utilizará.  A mesa t.ri tem uma parte plana e outra 3d, as s.ce e d.ir podem ser utilizadas com um vidro, para aquelas pessoas que preferem utilizá-las de uma forma mais convencional, porque os topos dos frisos têm a mesma altura , são alinhados. Eu particularmente um uso mais radical 🙂

Os projetos do estúdio têm nomes incompreensíveis: g.sp, t.ri, m.as, etc para cada pessoa ter a liberdade de enxergar o que quiser, sem condicionamentos ou pré-conceitos: sente-se o que vier, aceita-se o que se quiser dar. E para mim isso é o interessante: as diferentes interpretações e identificações. O ponto como uma abreviação de palavras que ninguém jamais saberá quais são, porque na verdade pouco importam.

EZ: A inovação do design industrial está certamente na mão de vocês, arquitetos e designers. Comente sobre o potencial criativo e de inovação no fazer artesanal, você considera importante a produção artesanal de vanguarda?

AM: Acho super importante a produção artesanal porque está diretamente ligada a cultura de um país. Admiro os designers como Sergio Mattos, Marcelo Rosenbaum, etc que vão em comunidades para ajudar as pessoas de lá criarem peças mais vendáveis e revertem parte do lucro das peças para estas comunidades…

Mais que função o Design tem o poder de abrigar história, memória e laços afetivos. (…) Regionalidade, identidade que resiste ao tempo e preserva técnicas e saberes ancestrais. O feito à mão, com calor humano, estampa o selo da originalidade. (…) O fio da cultura é a matéria-prima essencial. (…) Fortalece, ainda, a crença nas habilidades herdadas dos antepassados e projeta a autoestima como combustível para aprimorar riquezas que estão na ponta dos dedos, na palma das mãos. Trecho extraído do website de Serio Mattos

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Designers e arquitetos que representam o novo no mercado de design de produto em Sp e Brasil escolheram o Espaço Zero para produção de suas peças de vidro.

Tiago Curioni, Rodrigo Ohtake, e Paulo Goldstein, residentes da Galeria Nicoli – galeria que têm representado o que há de fresco em design de produto no cenário irradiado a partir de Sp – participaram da exposição Vasos na Made 2017, com projetos de vasos que levam vidro em sua produção, feitos artesanalmente no Espaço Zero. A exposição esteve em cartaz na primeira quinzena de agosto e as imagens podem ser conferidas na página da galeria aqui.

Paulo Goldstein - Callas

Paulo Goldstein – Callas, Galeria Nicoli, Made 2017, agosto de 2017-08-23

Tiago Curioni - Sol que Sua

Tiago Curioni – Sol que Sua, Galeria Nicoli, Made 2017. agosto de 2017-08-23

Rodrigo Ohtake - Vaso

Rodrigo Ohtake – Vaso, Galeria Nicoli, Made 2017 2017-08-23

Murilo Weitz também esteve em nosso atelier e desenvolveu este vaso conceitual com globo craquelado e filtro amarelo.

Murilo Weitz 2017-08-23

Murilo Weitz – vaso craquelê com dois furos

As luminárias em forma de globo de vidro que recebem a textura de tela, fixadas em tubos que permitem diversos arranjos, foi produzida especificamente para um projeto residencial, e esteve em exposição no stand da Suíte Arquitetos na Casa Cor de 2017.Suíte Arquitetos – Casa Cor 2017

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Um olhar fotográfico através dos vidros

O atelier de arte em vidro Espaço Zero recebeu a visita da escola Waldorf Acalanto – de Holambra. Os alunos, como sempre, se encantaram, divertiram-se e aprenderam sobre o fazer do vidro artesanal. Pai de um dos alunos, Luciano também se encantou, e divertiu-se fotografando a oficina e as obras do atelier. As fotos podem ser conferidas no link aqui

As fotos ficaram simplesmente estupendas, obrigada Luciano! Acostumados ao dia a dia com as obras do vidro, com atendimento às oficinas, de certa forma estas fotos mexeram com a gente. Será que quando vemos o mundo através de lentes de vidro vemos um mundo diferente? Reparamos o que normalmente passa despercebido. Ser artista é, antes de tudo, saber olhar para o mundo como ele é, sempre belo!

“Nas escolas Waldorf, é nessa etapa que as crianças aprendem como o homem que trabalha, usa suas mãos para transformar, é capaz de produzir algo útil para si e para os outros.  É claro que as crianças ficaram fascinadas e aprenderam um bocado nesse dia. Elas viram. Tocaram. Descobriram. E elas sentiram. Na pele e no coração.

E não é que somos como o vidro?  No início somos uma criança líquida e quente como vidro fundido. Requeremos trabalho, muita atenção e não há garantias. Mas há sempre muita beleza e esperança. Em algum momento o ser humano começa a esfriar. Assume que tem uma forma definitiva e se torna quebradiço.”

 

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Troféu Ubrabio

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A gota da transparência.

Em maio deste ano, em Brasília, a Ubrabio, União Brasileira de Biodíesel e Bioquerosene, celebrou 10 anos em seminário que contou com personalidades importantes do setor, como o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho e do secretário de Mudanças Climáticas do MMA, Everton Lucero.

Biodiesel e Bioquerosene: sustentabilidade econômica e ambiental

A organização, que representa toda a cadeia produtiva dos biocombustíveis no Brasil, “contribui diretamente para a substituição gradual dos combustíveis fósseis na Matriz Energética Brasileira; incentivando a agricultura familiar e agregando valor às matérias-primas produzidas no país”

Na celebração de seus dez anos, escolheu três personalidades de destaque no setor para premiar com este imponente troféu gota de cristal. Mais uma vez o vidro se mostra o material escolhido para uma premiação.

Porque o vidro?

Raridade. O vidro é um material abundante porém invisível – quase não percebemos o vidro nas janelas, telas e lentes. Já nos utensílios, assume sempre as mesmas formas. Podemos concluir que o vidro, na verdade, torna-se um material raro quando estamos falando de suas inusitadas formas escultóricas.

Encantamento. A escultura em vidro capta nosso olhar, suas propriedades encantam o expectador. Visualmente leve, materialmente pesado, este aspecto intrigante nos convida ao exame.

Metáfora. O vidro é um material poético que permite inúmeras figuras de linguagem. Neste caso, a viscosidade do óleo é generosamente traduzida na maleabilidade do vidro fundido que, sob o controle do artesão, transforma-se em uma gota congelada, momento estático de um material líquido, o biocombustível.

Assim como o vidro, o combustível é invisível, está escondido dentro dos tanques, motores. Substância vital, como o sangue, que age invisivelmente em nosso cotidiano. O troféu expõe este líquido, é o agradecimento aos recursos da natureza que o homem aprendeu a manipular, onde apenas fazendo uso consciente – isto é transparente – podemos ter sucesso.

O troféu torna-se o símbolo da transparência, do uso equilibrado e consciente dos recursos naturais, da honestidade de uma corporação e suas personalidades responsáveis.

Assim, o vidro escreve que o homem é capaz de sustentar o insustentável.

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Restauração de vidro: frascos de vidro especiais

Uma homenagem aos objetos únicos, preciosos, que não deveriam quebrar nunca. Caso acidentalmente danificados, não lamente, use a situação como pretexto para ancorar-se na realidade, abandonar a mente de distração e alcançar a mente alerta,  consciente, na busca de que nada mais se quebre, que tudo seja íntegro, dentro e fora de nós.

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Perfume Armani comemorativo 75 anos

Em homenagem a estes incidentes, acidentes, sustos, desesperos, escrevemos este post. Não se desespere, o Espaço Zero está aqui. Somente mãos habilidosas e responsáveis podem restaurar objetos de tamanho valor.

São somente mais 74 exemplares deste perfume Armani, feitos em comemoração aos 75 anos da grife. Produção em tiragem limitada, um objeto projetado para ser obra de arte, assim como pinturas ou gravuras. O valor está explícito na exclusividade, são poucos os que têm o privilégio de apreciar determinadas obras.

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