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Encontro Anual do Icom Glass em Sars Poteries

Galeria Espaco Zero - Sars Poterie - Bert Frijns B

A mesa de vidro do conselho internacional dos museus, o board Icom Glass, da qual Elvira Schuartz ocupa uma cadeira, este ano se encontrou entre Bélgica e França, em um tour por regiões tradicionais na produção de vidro industrial e artesanal.

No norte Francês, visitaram os cantões de Sars Poteries, Trélon, Boussois, Charleroi. Visitaram o inaugurado Mus-Verre, com acervo histórico e contemporâneo, onde foram recebidos pelos diretores do museu. Visitaram ainda a fábrica de vidro pla5no AGC, e o glass studio de Charleroi. Na Bélgica, conheceram acervos contemporâneos (Glazenhuis, Lommel) e históricos (cristais Saint Lambert, Seraing), bem como a coleção particular de Lothar Knauf, em Emburgo, e o acervo glass do Curtius Museum, em Liége.

Em Sars Poteries, Elvira registrou as obras do inglês Colin Reid e do holandês Bert Frijns.

 

A água é um elemento chave no trabalho de Bert Frijn, criando reflexões, distorcendo a superfície, adicionando um novo balanço ao objeto de formas simples puras, mesmo com desconcertante imobilidade. Como escultor, ele desafia a utilidade do recipiente em um trabalho de arte minimalista. Gosta de jogar com a dualidade de seus materiais favoritos, vidro e água, solidez e fluidez, recipiente e conteúdo. Por vezes modifica o centro de gravidade de suas obras. Seu trabalho sugere meditação e observação, brincam com a luz ambiente, como se as tigelas estivessem suspensas no tempo, prestes a cair.

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Entrevista com Andrea Macruz – design artesanal

A arq’designer Andrea Macruz, diretora do Estudio Nolii, professora de design na Belas Artes, é uma das queridas do Espaço Zero. Esteve aqui ano passado para confeccionar este poderoso vaso M.AR, que esteve exposto na design weekend 2016, em revistas especializadas, e agora está na loja on-line Boobam, aqui

Convidamos a designer para falar um pouco de seu processo criativo e sua experiência com o vidro

Espaço Zero: Andrea, bom dia. Muito obrigado por conceder esta entrevista, você sabe que somos fãs do seu trabalho.  Sobre esta fruteira/ doceira M.AR que foi confeccionada aqui no Espaço Zero, é um objeto lindo que remete a várias manifestações da natureza, as áureas espirais. Este vaso parece também uma coluna grega desconstruída, e por outro lado as estrias do vaso também remetem aos vasos de vidro de Riga, na Itália, que contém gomos como uma mexerica. Já ao lado contemporâneo, ele é líquido e evoca a repetição comum do design industrial paramétrico. Conte para nós um pouco mais deste vaso e suas possíveis leituras?

Andrea Macruz: m.ar são fruteiras/doceiras inspiradas nos vórtices. Vórtex ou vórtice é um escoamento giratório onde as linhas de corrente apresentam um padrão circular ou espiral. Ele pode ser observado em diferentes fenômenos como nos anéis de fumaça, nos tornados, furacões, redemoinhos, etc.  A espiral é bastante presente nos elementos/fenômenos naturais e gera formas bonitas e complexas.

A fruteira/doceira m.ar foi desenhada com o programa Rhinoceros e seu plug in paramétrico Grasshopper. Já a fabricação foi totalmente manual, porque cada peça é feita por duas partes em vidro soprado. Na verdade, o desenvolvimento do projeto é interessante porque confronta/liga tecnologia com um processo artesanal, deixando margem para algumas variações em relação às suas medidas e forma.

nolii-vaso

fotos: Flavio Sampaio
ano: 2016
material: vidro
medidas: +- 40cm Ø x 20cm altura

EZ: Em seus projetos podemos dizer que há uma intenção na desconstrução da forma e uso dos objetos, por exemplo suas mesas com superfícies onde é impossível apoiar qualquer coisa, e até mesmo este vaso que muitos se perguntam a eficácia de sua função. Os nomes que dá aos seus objetos brincam com a identidade e o significado das coisas. Você acredita em um ambiente descaracterizado de objetos-função reconhecíveis, algo que toca o extremo do poético?

AM:  Meu trabalho tem como foco o estudo da Natureza e dos sistemas computacionais avançados. Aqui  no estúdio nós propomos uma maior conexão entre o homem e algumas formas e padrões da Natureza em relação à familiaridade e a possibilidade de trazer para dentro da casa das pessoas elementos que se assemelham a Natureza. Nesse sentido, o uso de  novas tecnologias permitem a reprodução de padrões e formas complexas que seriam difíceis serem criadas sem o computador. No caso das mesas que vc mencionou (t.ri / s.ce / d.ir) elas são esculpidas por uma CNC, formando padrões inspirados nas fissuras tectônicas no caso da t.ri, nas dunas e fractais no caso das s.ce e na palmeira-leque no caso das d.ir . O conceito de todas é a interação do usuário em relação a sua volumetria: não há uma forma certa para os objetos serem dispostos, dependendo unicamente da criatividade da pessoa que a utilizará.  A mesa t.ri tem uma parte plana e outra 3d, as s.ce e d.ir podem ser utilizadas com um vidro, para aquelas pessoas que preferem utilizá-las de uma forma mais convencional, porque os topos dos frisos têm a mesma altura , são alinhados. Eu particularmente um uso mais radical 🙂

Os projetos do estúdio têm nomes incompreensíveis: g.sp, t.ri, m.as, etc para cada pessoa ter a liberdade de enxergar o que quiser, sem condicionamentos ou pré-conceitos: sente-se o que vier, aceita-se o que se quiser dar. E para mim isso é o interessante: as diferentes interpretações e identificações. O ponto como uma abreviação de palavras que ninguém jamais saberá quais são, porque na verdade pouco importam.

EZ: A inovação do design industrial está certamente na mão de vocês, arquitetos e designers. Comente sobre o potencial criativo e de inovação no fazer artesanal, você considera importante a produção artesanal de vanguarda?

AM: Acho super importante a produção artesanal porque está diretamente ligada a cultura de um país. Admiro os designers como Sergio Mattos, Marcelo Rosenbaum, etc que vão em comunidades para ajudar as pessoas de lá criarem peças mais vendáveis e revertem parte do lucro das peças para estas comunidades…

Mais que função o Design tem o poder de abrigar história, memória e laços afetivos. (…) Regionalidade, identidade que resiste ao tempo e preserva técnicas e saberes ancestrais. O feito à mão, com calor humano, estampa o selo da originalidade. (…) O fio da cultura é a matéria-prima essencial. (…) Fortalece, ainda, a crença nas habilidades herdadas dos antepassados e projeta a autoestima como combustível para aprimorar riquezas que estão na ponta dos dedos, na palma das mãos. Trecho extraído do website de Serio Mattos

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Troféu Ubrabio

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A gota da transparência.

Em maio deste ano, em Brasília, a Ubrabio, União Brasileira de Biodíesel e Bioquerosene, celebrou 10 anos em seminário que contou com personalidades importantes do setor, como o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho e do secretário de Mudanças Climáticas do MMA, Everton Lucero.

Biodiesel e Bioquerosene: sustentabilidade econômica e ambiental

A organização, que representa toda a cadeia produtiva dos biocombustíveis no Brasil, “contribui diretamente para a substituição gradual dos combustíveis fósseis na Matriz Energética Brasileira; incentivando a agricultura familiar e agregando valor às matérias-primas produzidas no país”

Na celebração de seus dez anos, escolheu três personalidades de destaque no setor para premiar com este imponente troféu gota de cristal. Mais uma vez o vidro se mostra o material escolhido para uma premiação.

Porque o vidro?

Raridade. O vidro é um material abundante porém invisível – quase não percebemos o vidro nas janelas, telas e lentes. Já nos utensílios, assume sempre as mesmas formas. Podemos concluir que o vidro, na verdade, torna-se um material raro quando estamos falando de suas inusitadas formas escultóricas.

Encantamento. A escultura em vidro capta nosso olhar, suas propriedades encantam o expectador. Visualmente leve, materialmente pesado, este aspecto intrigante nos convida ao exame.

Metáfora. O vidro é um material poético que permite inúmeras figuras de linguagem. Neste caso, a viscosidade do óleo é generosamente traduzida na maleabilidade do vidro fundido que, sob o controle do artesão, transforma-se em uma gota congelada, momento estático de um material líquido, o biocombustível.

Assim como o vidro, o combustível é invisível, está escondido dentro dos tanques, motores. Substância vital, como o sangue, que age invisivelmente em nosso cotidiano. O troféu expõe este líquido, é o agradecimento aos recursos da natureza que o homem aprendeu a manipular, onde apenas fazendo uso consciente – isto é transparente – podemos ter sucesso.

O troféu torna-se o símbolo da transparência, do uso equilibrado e consciente dos recursos naturais, da honestidade de uma corporação e suas personalidades responsáveis.

Assim, o vidro escreve que o homem é capaz de sustentar o insustentável.

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Gostamos de vidro, fazemos arte

Gostamos de vidro, fazemos arte. Esculturas e vasos, assinados por Elvira Shcuartz, reconhecidos nacional e internacionalmente,  o público do Espaço Zero já conhece. Para lá dos objetos de escultura e design, há também projetos artísticos conceituais, pouco conhecidos de nosso público.

Uma das mais novas empreitadas de Elvira Schuartz, através do Espaço Zero, é a arte conceitual, aquele tipo de arte que geralmente está dentro dos museus, e não é vista enquanto não é exposta. Estes projetos circulam entre os curadores, museólogos, artistas e galeristas. Um grande trabalho, que iniciamos há pouco tempo.

No Espaço Zero temos projetos de arte que, a princípio, não estão em exposição. Logo ninguém, além de nós, os curadores, museólogos, artistas e galeristas, sabe que nos dedicamos a esta atividade.

No entanto, somos além de atelier, uma galeria de arte, aberta ao público, que atende sob hora marcada. Teremos o prazer de mostrar partes destas reflexões em nosso show-room e canais de comunicação.

Decidimos trazer a público este trabalho e compartilhar algumas imagens. São diversos projetos, no momento selecionamos três, que foram recentemente trabalhados.

Para Sempre Jardim (Forever Garden)

Uma obra feita a partir de 1000 garrafas de cerveja recicladas, aquecidas e sopradas novamente como uma escultura que remete a uma folha de grama. Cada uma destas esculturas é plantada na terra traduzindo um gramado. “Cristalizado em sua eternidade, este Jardim é a versão poética do legado dramático que preparamos para os nossos herdeiros.”

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Mentes Briliantes (Brilliant Minds)

Instalação, Brilliant Minds é uma das mesas da coleção “Table, At”. Depois do chão, surgiu a mesa. Nela, nós comemos, planejamos, negociamos. Planejamos nossas vidas, casamentos, divórcios. Nós celebramos, pensamos. A mesa reflete nosso estilo de vida, posição social e tempo. É nosso perfil cultural. Pensar sobre mesas é pensar sobre nós mesmos, sobre nossa época. Brilliant Minds significa conversa, diálogo, compreensão.

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Polvo

Tentação: a palavra mágica do século 21. A ela sucumbimos sem perceber. Não por ser uma novidade, mas por estar cada vez mais perto. O teatro, os livros, as orquestras sugeriam vontades. O rádio, a TV, o cinema, explicitaram tentações. As mídias sociais, internet trouxeram vontades e tentações para a ponta de nossos dedos.

A cada toque do indicador num “gorila glass”* centenas de tentáculos afloram para nos abraçar e sufocar. Sem nos darmos conta,  vamos dormir com as vontades no bolso do pijama.

O tentáculo de um polvo é o tributo à sedução em um mundo liquido.

*gorilla glass” é uma marca de vidro ultra fino e ultra resistente fabricado pela Corning Inc, utilizado atualmente em 4,5 bilhões de aparelhos do tipo tablete e celulares

O Polvo está exposto e à venda no nosso show-room. Venha nos fazer uma visita!

Octopus

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Escultura parto adequado

Sexta-feira, 16 de setembro, fim de tarde em São Paulo. Época de dias quentes e tardes frias. Ao meio dia, desejamos que chegue logo o verão. Às tardes frias, dizemos ‘ainda é  inverno’.  Nestes dias sem estação, frios e quentes do outono tropical, São Paulo se enche de flores e frutos. Nossas mesas de desenho estão repletas de rabiscos, e os fornos à todo vapor. Nesta época onde antecipa-se o final do ano, todos já pensam em comemorar, e nossa agenda se enche de pedidos de premiações, troféus e presentes para o final de ano. Dá até para imaginar que no outono das grandes capitais trabalhadoras do mundo nos sentimos realmente como na fábrica de presentes do papai noel, e no espaço zero não é diferente.

Além de diversos troféus e premiações, estes dias chegou para nós um pedido um tanto quanto pré-natalino: a escultura parto adequado, em homenagem às mães que vêm se empoderando e escolhendo como, onde e quando dar à luz aos seus bebês, e também aos médicos que tornam tudo isso possível. A escultura é um presente à classe médica, deve simbolizar a gestação, a vida nova, a transformação. Traduzimos este importante acontecimento – o nascimento – numa imagem delicada, as curvas de uma mulher grávida, momento de vitalidade para toda mulher.

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As linhas foram desenhadas em papel, já pensano no processo de moldagem em vidro. Duas gotas de vidro se juntam, e neste momento de intersecção formam a figura do ventre materno. Um “Merapi” – colorido e orgânico – dentro da gota representa o feto.

Dos rabiscos de papel, o desenho técnico de apresentação, uma ilustração gráfica e a ideia foi aprovada. Agora é hora de mãos à obra.

Diversas esculturas são moldeladas, buscando atingir a forma satisfatória. Queremos atingir o ponto médio entre a abstração e o figurativo. Para quem vê a figura, a mulher e seu feto. Para quem vê as somente formas, vida em transformação. A proposta é tecnicamente difícil de executar e, finalmente, na terceira tentativa conseguimos chegar ao resultado que gostaríamos. A escultura está pronta.

einstein-partoadequado3Depois deste árduo trabalho, foram diversas tentativas, chegamos à conclusão, modelar esta escultura foi um parto! Todo este processo inspirou-nos a elaborar um poema especialmente sobre a experiência da gravidez, exclusividade das mulheres, e sua relação com o trabalho em vidro.

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A vinheta de “ Babilônia” – a novela da 9 da rede globo

Participar da gravação da vinheta da nova novela da rede Globo – Babilônia – que já está no ar foi emoção do começo ao fim.

Fazer um coração humano foi o primeiro desafio. Tinha que ser real, inspirado na forma cientifica do coração, com veias, artérias, átrios e tudo o que faz pulsar e dar a esta frágil carcacinha que somos nós. Fizemos um, dois e no terceiro fiquei satisfeita. A produção adorou!

O segundo desafio foi faze-lo ao vivo. A Carreta do projeto Vidro ao Vivo foi ao estúdio para refazer o coração à luz das câmeras. E quando tudo começou vimos que as luzes eram o de menos.

As câmeras, em todo seu rodo móvel aparato tecnológico e humano “entrou” literalmente dentro da carreta. Havia 10 pessoas – além de nós 3 – eu, Marcio e Jhon, com o vidro incandescente na ponta da cana em pouco menos de 10m2. O forno ficava aberto muito tempo para captar “aquela” imagem, o fio correu sobre o vidro dezenas de vezes e o calor forno a 1300º e holofotes de x mil watts (vários…) redobravam o calor natural da adrenalina que é fazer vidro.

Nos bastidores da gravação pelo olhar do fotografo Rodrigo Rosenthal

A arte não está aqui ou ali, mas um pouco atrás do olhar – ou da câmera, em se tratando de fotografia – em algum lugar do cérebro onde RGBs ou CMYKs se misturam para a criar algum outro significado. Um novo significado. Depois ela vira alguma coisa: foto, quadro, musica…. E passa a ser algo que todos podem ver.

E eu perdi a foto!

Durante a gravação das outras vinhetas – o coração de aço e de pedra – evitamos mexer no vidro por conta da faísca provocada pela esmerilhadora. Quando terminaram, nos avisaram e começamos a aquecer o forno de caldear, as canas, e preparar os materiais. Haviam mais de 20 pessoas no estúdio. O espaço era grande e ficamos numa parte mais ao fundo, separados dos demais

Quando o Marcio já tinha uma boa porção de vidro na ponta da cana e começava o soprar o coração, chamei o pessoal para vir dar uma olhada. Vieram todos os 20 e ergueram-se câmaras de todos os tipos – de celulares cotidianos às robustas teleobjetivas, todos captavam a estrela da cena: o vidro incandescente. Peguei meu celular para fotografar mas já não tinha mais bateria.

Ao ver meu desapontamento, um dos fotógrafos profissionais me consolou: estamos fotografando tudo, disse. – Mas eu queria fotografar vocês, respondi…Nunca vi tantas câmeras voltadas pra nós! Ficou salvo na (minha) memoria.

As fotos abaixo sao do fotografo e amigo Rodrigo Rosenthal.

 

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Parque Ecológico

Uma semana de muita surpresa e alegria!

Matar a curiosidade:

De onde vem o vidro?

Como é feito?

Sopro de vidro?

Arte em vidro?

 

Um palco itinerante leva as oficinas de vidro pelo Brasil a fora.

Nas oficinas, crianças e adultos experimentam o sopro de vidro.

A carreta palco Zero a Mil e Trezentos Graus torna mais acessível às oficinas do espaço zero.

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